Garagem da Cris 2

Na Garagem da Cris
Por Cris Beloni Alencar


Resumo do que tornava uma pessoa imunda
Eram elas: sangue, comida proibida, animais mortos, menstruação, corrimento, sêmen, defunto, lepra e até mesmo objetos contaminados (os quais uma pessoa imunda ou coisa imunda os tocou). 

Da parte sanitária: quem vivia no deserto precisava ter um mínimo de higiene básica, senão eles adoeceriam e morreriam; logo, uma pessoa que tivesse algo escorrendo de seu corpo, de algum machucado (seja sangue, pus, corrimento, etc), poderia contaminar outra pessoa, caso já tivesse alguma infecção em si. Eles deveriam então ter algum asseio, e Deus os ensinou a manter uma higiene pública.

Embora essa lei pudesse ter alguma relação com higiene ou fazer parte de uma lei sanitária, era antes de tudo uma lei cerimonial, pois a mulher era considerada imunda para comparecer ao serviço sagrado do templo; por conta da sua menstruação; era, portanto, antes de mais nada cerimonial, e isso tem muitos significados espirituais, mas nem sempre conseguimos entender todos os símbolos. 

Dependendo do “grau” da imundícia (por assim dizer), a pessoa estaria limpa ao pôr-do-sol, (até a tarde) ou tinha que tomar um banho e ainda assim, só estaria limpa ao pôr-do-sol, ou a  pessoa “contaminada” ficava imunda sete dias e ainda tinha que passar por uma cerimônia de purificação.
O ritual variava com o “grau” ou intensidade da impureza - da “imundícia”. Por exemplo: quem tocasse ou comesse um animal morto (Lev 11) ficava imundo até o pôr-do-sol; mas quem tocasse em uma pessoa morta, ficava imundo 7 dias.
Lembrando que ficar “imundo” não era ficar “doente ou sujo”.

Os “imundos”, não podiam tomar parte dos cultos, não podiam ir à tenda sagrada, nem tocar nada santo, sagrado. 

REFLEXÃO: se fosse realmente só uma lei de saúde, porque então que Deus não relacionou as ervas venenosas, aquelas com efeitos entorpecentes, abortivos e que levam até ao óbito? O ponto de vista daquela época, de tudo o que faziam e das leis que cumpriam, era higiênico ou ritual?


Vamos lembrar dos tipos das leis?

Leis Morais (eternas) – essas já existiam antes da entrada do pecado no mundo.
Leis Civis – são leis nacionais e dependem da cultura de um povo.
Leis Cerimoniais ou Religiosas – são as leis simbólicas, as que Jesus veio cumprir. Ex: Sacrifícios, rituais e festas sagradas.

Se existiram as “leis sanitárias”, onde elas se encaixam?
Dentro da cultura judaica e levando em conta as condições de vida na época (peregrinos no deserto, sem moradia fixa, durante 40 anos), essas leis certamente seriam civis, pois lidam com a saúde coletiva de uma nação. As leis civis dependem da cultura do povo; então elas são temporárias.

Os judeus não entenderam o que Deus queria dizer com aquelas leis!

Jesus fez um alerta sobre esse assunto, em Mt 15:17-20

16  Jesus, porém, disse: Até vós mesmos estais ainda sem entender? 17  Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? 18  Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. 19  Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. 20  São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem.

Comer sem lavar as mãos faz parte da “lei sanitária”.


Sobre tudo o que se come
No mundo atual, as pessoas comem ratos, rãs, grilos e gafanhotos, cobras, lagartos, escorpiões, formigas, etc. Isso se chama CULTURA ALIMENTAR. Cada povo desenvolveu diferenças dentro da sua própria cultura alimentar. Por exemplo, às vezes aquilo que para os ocidentais é repugnante, para os orientais é muito bom. Se um visitante da cidade vai num sítio e assiste desde o abate de um animal até este estar na mesa, sendo que ele nunca presenciou isso, ele dificilmente comerá o animal; ficará com nojo. Mas as pessoas do interior, que criam animais para comer, o fazem com a maior naturalidade.

Deus deu ao homem sabedoria, raciocínio, e capacidade para desenvolver meios de estudos e análises através da ciência, para verificar o que lhe é comestível e o que pode ser prejudicial. Nem todo animal se come, e nem todo vegetal se come. Isso vale também para aves e animais marinhos.

O que se conclui no Velho Testamento, é que no caso desses rituais, se trata mais de simbologia do que vigilância sanitária, para os nossos dias.

Sanitária -  valeu para aqueles tempos - preocupação em conservar a higiene e a saúde (individual ou pública); Note que o termo “vigilância” quer dizer vigiar, observar atentamente; é como um alerta, ou seja, “preste atenção” à sua saúde.




1)    SANGUE: Fluxo de sangue no corpo de homens ou mulheres e a imundícia


Hemorragia – do latim haemorrhagia, hemo de sangue e ragia de derramamento; é a perda de sangue do sistema circulatório do corpo.

O que isso tem a ver com impureza? Naquela época, isso tinha a ver com a questão das regras de pureza, que regulamentava a vida dos judeus no tempo de Cristo. Em nossos dias, sabemos que o sangue pode transmitir doenças, pelo simples contato com olhos, boca, nariz ou pele. (Estatística: nos EUA, cerca de 1.000 profissionais contraem doenças sérias através de acidentes com agulhas contaminadas, anualmente; Ex: hepatites B e C, HIV).


Será que os judeus questionavam as leis? Aquelas leis eram as “sombras” de tudo o que iria acontecer em nossos dias. Se Deus dizia que uma pessoa com hemorragia era “imunda”, ou seja, inapta para os cerimoniais, eles simplesmente obedeciam a essa lei. Deus queria deles a obediência. Nem tudo se encaixa a motivos lógicos, no caso do sangue, até poderia ser uma lei relacionada à saúde e à higiene. Assim como em nossos dias, o sangue poderia transmitir doenças.

O que a hemorragia simboliza? Sangue é vida. (E Jesus é a vida do corpo). Perder sangue, portanto, é de alguma forma perder a vida aos poucos. Existe algum fluxo de sangue em você? Algum pecado que faça você perder a sua vida (salvação) aos poucos?

Qual a simbologia de uma pessoa “imunda” por causa da hemorragia não poder tocar em outras pessoas? Imagine uma pessoa “com um fluxo de sangue”, ou seja, perdendo sua vida (salvação); ou ainda, simplificando mais um pouco – uma pessoa que está cometendo algum pecado, dia após dia. De alguma forma, você pode se contaminar, pois se essa pessoa “tocar” em você, ou seja, fazer com que você também cometa esse pecado, e você também passará a perder a vida.



Lc 8:43  E uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada, 44  Chegando por detrás dele, tocou na orla do seu vestido, e logo estancou o fluxo do seu sangue. 45  E disse Jesus: Quem é que me tocou? E, negando todos, disse Pedro e os que estavam com ele: Mestre, a multidão te aperta e te oprime, e dizes: Quem é que me tocou? 46  E disse Jesus: Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude. 47  Então, vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se tremendo e, prostrando-se ante ele, declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como logo sarara. 48  E ele lhe disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.


Como a “mulher do fluxo de sangue” que tocou nas vestes de Jesus (que simbolizava o caráter Dele (relembre isso nas vestes do sumo sacerdote, desde as cores até os demais detalhes). E também faça uma reflexão sobre a atitude daquela mulher, o toque dela simbolizou a sua fé. Já que muitas pessoas o tocaram, e nada aconteceu. O toque dela fez sair poder de Jesus.

Ou seja, quando estamos em pecado, a única pessoa capaz de nos ajudar, é Jesus. O único que não sofre de hemorragia, pelo contrário, Ele é o doador da vida.

Perceba a importância do sangue na Bíblia:

Lv 17:14  Porquanto a vida de toda a carne é o seu sangue;

1Pe 1:18  Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, 19  Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, 20  O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós;


Purificação da mulher após o parto (Lv 12)
Primeiro: imundo na lei mosaica não é o mesmo que sujo no pensamento moderno; não é nada desagradável ou nojento. Imundo é ser incapaz de realizar as ordenanças sagradas, ou seja, inapto para as cerimônias religiosas. Assim como a imperfeição física não era uma forma de desprezar os aleijados, os cegos ou os surdos. A perfeição física tipificava a perfeição de Cristo.

Tempo de purificação para mulheres que teve meninas – era o dobro do tempo; provavelmente porque a mulher menstrua. Sangue, no caso de hemorragia era sinal de impureza (inapta espiritualmente). Por isso, as mulheres que davam à luz, meninas, tinham que cumprir um tempo maior de purificação.


Se um vaso de barro tocasse em alguém “imundo” deveria ser quebrado e o de madeira lavado. Por quê? Qual a diferença entre os dois? Lv 15:12 E o vaso de barro, que tocar o que tem o fluxo, será quebrado; porém, todo o vaso de madeira será lavado com água.


BARRO E MADEIRA – Tanto o barro quanto a madeira tipificam a nossa humanidade. A diferença porém, está nas fases da vida. Quando Deus nos cria, é com barro. Quando recria “espiritualmente” falando, é quebrando o barro e fazendo de novo. Restaurando, quando necessário.

Depois de um período, a Bíblia fala do Tabernáculo, o plano de Deus para salvar a humanidade. Ali o ser humano já é representado através da madeira, que é posterior ao barro. Podemos entender como uma nova fase do ser humano, agora podendo ser revestido da glória de Deus (ouro – lembre-se da Arca da aliança, que é feita de madeira e coberta com ouro, ou seja, sem Deus o ser humano não tem valor, nem brilho, nem beleza); é a fase dos sacerdotes; quando sujos, podem ser limpos com água (como o vaso de madeira).
A Bíblia fala sobre vasos de ouro, de prata, de pau, de barro, de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro, de mármore e de marfim. 

2ª Timóteo 2.20-21. "Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro, uns para honra, outros, porém, para desonra. De sorte que se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idóneo para uso do Senhor e preparado para toda a boa obra"

Vaso de barro: é frágil, pobre, indigno e não é belo. Conservam a temperatura de seu conteúdo. E pode ser cheio com os tesouros de Deus. Nós somos os vasos de barro, no decorrer da vida, se ficarmos imundos, ou seja, inaptos, Deus nos quebra e faz de novo. Não é isso o que a Bíblia diz em Jeremias?

1  A PALAVRA do SENHOR, que veio a Jeremias, dizendo:
2  Levanta-te, e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras.
3  E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas,
4  Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer.
5  Então veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:
6  Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.

2 Co 4:6  Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. 7  Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.


ESPERMA OU SÉMEN: palavra que vem do grego sperma, quer dizer semente. Essas “sementes” são os espermatozoides que vivem no meio do esperma (200 a 600 milhões por ejaculação). O esperma contaminado pode ser meio de transmissão de doenças (DST), quando entra em contato com a pele. Da mesma forma, o pus e outras secreções. Por isso, o homem “sujo” com esperma, era considerado “imundo”.


CONCLUSÃO: o cerimonial judeu foi cumprido em Jesus, que santificou o que era imundo cerimonialmente, cumpriu e tornou caduco o cerimonial judaico inclusive no que considerava imundos os gentios, abrindo-lhes caminho pela santificação da aceitação à presença de Deus. 


Cap. 16/17
Para entrar no tabernáculo, no lugar santíssimo, era só com a ordem de Deus. Depois de lavado, com as roupas certas. / O dia do perdão, os dois bodes: expiatório e emissário. (já estudamos sobre isso).

Próxima quinta: falaremos sobre casamentos, uniões abomináveis, o deus Moloque, ano sabático e Jubileu.

Deus abençoe a todos!

Desejo uma semana iluminada e abençoada.
LEIAM A BÍBLIA!!!

Reflitam bastante (ruminem... rsrsrss lembram-se disso?)
Depois de entender a Palavra, pratiquem, caso contrário, tudo o que estamos estudando será em vão.


“Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor,
é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural;
Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era.
Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade,
e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra,
este tal será bem-aventurado no seu feito”. Tiago 1:23-24



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