LIVRO DE ISAÍAS - 20


(20) ISAÍAS / CAPÍTULO 7

Um pouco sobre a Assíria
Assíria foi um reino da antiga *Mesopotâmia entre os séculos VIII e XII. O centro administrativo desse império era Nínive. O exército assírio era um dos mais notáveis da Antiguidade e ficou famoso por conquistar diversos territórios. Esse povo também se destacou pela habilidade na construção de grandes cidades e edifícios monumentais.

*Mesopotâmia – o nome quer dizer “terra entre rios”, ficava entre os rios Tigre e Eufrates. Atualmente, corresponde a maior parte do atual Iraque e Kuwait e algumas partes orientais da Síria.

 Os reis assírios eram, antes de qualquer coisa, os chefes guerreiros e governavam auxiliados por uma elite militar. Por essa relação íntima entre atividades administrativas e atividades bélicas, os assírios são apontados pelos historiadores como os criadores do primeiro exército organizado do mundo.

Esse quesito lhes garantiu uma grande capacidade de submeter outros povos a seu jugo, bem como uma extensão grande de terras, sem perder a capacidade de administrá-las. Um dos métodos utilizados pelos assírios sobre os territórios conquistados eram as práticas de crueldade extrema contra os guerreiros inimigos capturados.

Os soldados vencidos sofriam desde mutilações diversas (dedos, orelhas, narizes e olhos arrancados) até o *empalamento.

*Empalamento – é um método de tortura e execução que consistia na inserção de uma estaca pelo ânus, vagina, ou umbigo até a morte do torturado. A vítima, atravessada pela estaca, era deixada para morrer sentindo dores terríveis, agravadas pela sensação de sede.


(20-A) ISAÍAS / CAPÍTULO 7
Como os assírios desenvolveram sua administração e seu poder bélico?
Os reis assírios eram considerados os mais cultos da época e armazenavam em suas bibliotecas uma literatura praticamente idêntica a dos babilônios. Com o tempo eles adquiriram o domínio de técnicas de utilização de minerais como o cobre e o ferro, e então, passaram a produzir armas mais resistentes que as de seus inimigos, o que fortaleceu o grande exército formado ao longo dos séculos, com seus experientes arqueiros e lanceiros.

Eles também possuíam muitos carros de guerra e cavalos e, dessa forma, expandiram seu Império. A política externa assíria era conhecida por sua brutalidade e, em muitos casos, atos de selvageria, o que persuadia seus inimigos a se entregarem sem luta. Esses fatores são importantes de serem citados, pois eram complementares do poder bélico assírio.


Poder bélico – a palavra “bélico” vem do latim “bellicus” e quer dizer guerra.  Mas existe uma história por trás dessa palavra. De acordo com a libanesa Dad Abi Chahine Squarisi, professora de português, especialista em linguística e editora de Opinião do Correio Braziliense: “O vocábulo tem origem pra lá de guerreira e nasceu na Grécia. Vem de Belona, mulher de Marte, o deus da guerra”.

Ela conta que, segundo a mitologia grega, Marte e Belona iam para a guerra juntos. Ele se vestia de armadura e protegia a cabeça com capacete. Os dois estavam sempre armados, com escudo, lança e espada. A língua portuguesa reconhece o valor da deusa guerreira e criou várias palavras em homenagem a ela. Todas começam com bel, as primeiras letras de Belona. Todas, também, têm parentesco com a guerra. Beligerante é a pessoa que está em guerra ou faz guerra. Belicosa, a criatura louca por uma guerrinha. Bélico, o que se refere à guerra. Material bélico, por exemplo, é material de guerra. E belonave? É isso mesmo — navio de guerra. Daí vem a origem dessa palavra.

Continuando...
O sistema de deportação dos povos tinha um objetivo bem claro: destruir o senso de nacionalismo e identidade política misturando povos estrangeiros, evitando assim as revoltas e desconstruindo a fé coletiva. Registros escritos da época demonstram o temor que os povos tinham dos assírios. Assim, como na maioria dos Estados que se desenvolveram no Crescente Fértil, os reis assírios exerciam um poder autocrático (autoritário e tirano – injusto e cruel), sendo considerados inclusive intermediários entre os deuses e o povo.

Sendo semitas, os assírios tinham muitos deuses em comum com outras nações semíticas, nomeadamente com os babilônios (Shamash, o deus-sol; Sin, o deus-lua; Ea, o deus das águas e Ishtar, a grande deusa da fertilidade). Os assírios eram um povo militar e comercial, simples em costumes, porém ferozes com seus prisioneiros, queimando vivos os seus conquistados após uma sessão de mutilação. Cortavam as mãos, pés, orelhas, faziam pirâmides de caveiras (crânios). Certo rei assírio, em uma de suas batalhas, levou cativo 14 mil homens como prisioneiros de guerra e, por medida de precaução, para que não houvesse revolta, deu ordem ao seu exército que vazassem os olhos de todos os presos. Resumindo, o poder dos assírios vinha dessa mistura: eram decididos, criativos, sábios, organizados e minuciosos. Pena que eram cruéis e usaram tantos talentos para o mal.

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