JUÍZES

LIVRO DE JUÍZES

O livro de Josué é finalizado com a morte dele, com 110 anos e a morte do sacerdote Eleazar, filho de Arão.

Ainda existiam cananeus, mas o povo estava sem líder e sem sacerdote. Como sempre, o povo de Israel “relaxou” e com os cananeus (laço e rede, açoites e espinhos – Js 23:13) as tribos de Israel foram se envolvendo. Israel foi oprimido várias vezes e por longos períodos, só então as tribos lembravam-se de Deus, que levantava um juiz para interceder por eles.

Função dos Juízes – ministrar a justiça de Deus ao povo. Foram os chefes supremos dos hebreus até a instituição de reinados. Eram também líderes militares e políticos, mas principalmente, libertadores do seu povo. Teocracia: Teo=Deus + cracia=governo.

Autor do livro – embora muitos teólogos defendam que o autor é desconhecido, o Talmude judaico registra que o profeta e também último juiz, Samuel, o escreveu.

Para quem o livro foi escrito? Para as gerações futuras de Israel, de modo que fossem advertidos acerca da rebelião de seus ancestrais contra Deus e também para que compreendessem a sua necessidade de dependência de Deus.

Tempo histórico do livro: por volta de 350 anos. Começa com o término da conquista de terras (1400 aC) até a unção de Saul como rei de Israel (1050 aC). Ou seja, são os primeiros 350 anos de Israel na terra prometida.
Obs.: leve em conta que, enquanto um juiz julgava no norte, havia outro julgando no Sul, simultaneamente.


CENÁRIO – Israel era uma confederação de tribos (associação de Estados soberanos).

Qual a diferença entre Federação e Confederação?

Na Federação a soberania é do Estado Federal. Há união entre os Estados, mas eles são independentes.

Na Confederação os Estados não abandonam a sua soberania, possuem uma união permanente, ou seja, decidem juntos o que fazer e como agir. Os direitos e deveres entre eles são idênticos.

ü  Durante esse período obscuro da história de Israel, a nação experimentou uma época de contínuo caos: desunião política, guerras internas, invasões de outras nações, depravação moral e espiritual. Era outra geração.

ü  As estradas eram ruins, havia perigos de animais selvagens e ladrões.

ü  O centro religioso ficava em Siló.

ü  Praticamente o período todo do livro é de guerra contra os filisteus, problema solucionado somente com Davi.

ü  Os israelitas eram pastores e moravam em tendas, dependiam basicamente dos rebanhos e do gado. Somente nos tempos de Gideão é que se tornaram camponeses e moradores de vilas.

ü  O livro de Josué enfatiza as vitórias; Juízes enfatiza as derrotas, mas também o agir maravilhoso de Deus durante as batalhas.


Foco do livro – Juízes mostra que a distância entre Deus e o homem sempre acaba em catástrofe. O livro de Juízes relata um período intenso de apostasia.


Cap. 01

Simeão e Judá lutam juntos contra os cananeus.
Conquistam Jerusalém, Hebrom, Debir, Zefate (Hormá), Gaza, Ascalom, Ecrom, Luz (Betel), Bete-Seã, Gezer, Quitrom, Naalol, Aco, Sidom, Alabe, Aczibe, Helba, Afeque, Reobe, Bete-Semes, Bete-Anate, Heres, Aijalom, Saalbim, etc.
Novamente, em algumas cidades permitiram que o antigo povo permanecesse.
No caso dos moradores das montanhas, não os expulsaram porque tinham carros de ferro. (Jz 1:19)
Em Jerusalém, não expulsaram os jebuseus. (Jz 1:21)
E muitas outras cidades continuaram abrigando seus antigos povos e mantiveram inclusive o lugar de jurisdição (lugar de decisão da justiça, espécie de tribunal) – (Jz 1:27)

Cap. 02

O anjo repreende aos israelitas e novamente alerta:

“Assim também eu disse: Não os expulsarei de diante de vós; antes estarão como espinhos nas vossas ilhargas, e os seus deuses vos serão por laço”. (Jz 2:3)

Ilhargas – cada um dos lados do corpo, dos quadris até as primeiras costelas.

Motivos explicados a partir do versículo 6, especificando melhor a partir do 11:

ü  Serviram aos Baalins (plural de Baal); cada região tinha o seu próprio Baal. Exemplo: Baal-Peor, que ficava no monte Peor. Baal-Zefom, Baal-Hermom, Baal-Gade, Baal-Berite, etc.

ü  Serviram a Astarote – a mãe de Baal, deusa da fertilidade.

ü  Serviram aos demais deuses dos cananeus.

Cap. 03

Deus deixou muitas nações entre os hebreus para provar se eles dariam ouvidos aos seus mandamentos;

1ª Opressão: SÍRIOS / Deus manda OTNIEL

“Então a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e ele os vendeu na mão de Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia; e os filhos de Israel serviram a Cusã-Risataim oito anos”. (Jz 3:8)

“E os filhos de Israel clamaram ao Senhor, e o Senhor levantou-lhes um libertador, que os libertou: Otniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe, mais novo do que ele”. (Jz 3:9)

Mesopotâmia – meso (meio, entre) terra entre rios (Tigre e Eufrates); atual Iraque e Síria.

2ª Opressão: MOABITAS / Deus manda EÚDE e SANGAR (simultaneamente, mas em regiões diferentes)

“E os filhos de Israel serviram a Eglom, rei dos moabitas, dezoito anos”. (Jz 3:14)

Então Eúde estendeu a sua mão esquerda, e tirou a espada de sobre sua coxa direita, e lha cravou no ventre, de tal maneira que entrou até o cabo após a lâmina, e a gordura encerrou a lâmina (porque não tirou a espada do ventre); e saiu-lhe o excremento. (Jz 3:21-22)

“Assim foi subjugado Moabe naquele dia debaixo da mão de Israel; e a terra sossegou oitenta anos”. (Jz 3:30)

“Depois dele foi Sangar, filho de Anate, que feriu a seiscentos homens dos filisteus com uma aguilhada de bois; e também ele libertou a Israel”. (Jz 3:31)

Não há mais relatos sobre Sangar, mas estudiosos acreditam que ele libertou Israel dentro do mesmo período de 80 anos, mas em outra região.

Cap. 04

3ª Opressão: CANANEUS / Deus manda DÉBORA (profetiza) e BARAQUE  
“E vendeu-os o Senhor na mão de Jabim, rei de Canaã, que reinava em Hazor; e Sísera era o capitão do seu exército, o qual então habitava em Harosete dos gentios. Então os filhos de Israel clamaram ao Senhor, porquanto ele tinha novecentos carros de ferro, e por vinte anos oprimia violentamente os filhos de Israel”. (Jz 4:2-3)

“E Débora, mulher profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo”. (Jz 4:4)

A profecia de Débora
“Então lhe disse Baraque: Se fores comigo, irei; porém, se não fores comigo, não irei. E disse ela: Certamente irei contigo, porém não será tua a honra da jornada que empreenderes; pois à mão de uma mulher o Senhor venderá a Sísera. E Débora se levantou, e partiu com Baraque para Quedes”. (Jz 4:8-9)

Cumprimento da profecia
“Então Jael, mulher de Héber, tomou uma estaca da tenda, e lançou mão de um martelo, e chegou-se mansamente a ele, e lhe cravou a estaca na fonte, de sorte que penetrou na terra, estando ele, porém, num profundo sono, e já muito cansado; e assim morreu”. (Jz 4:21)

Cap. 05

Cântico de Débora e Baraque (um general da tribo de Naftali)
Curiosidade (Jz 5:10) – cavalgar em jumentas brancas era privilégio de reis e juízes.

Em seu cântico, Débora se revela uma mulher de grande discernimento espiritual, forte e corajosa, ousada e destemida.

ANÁLISE (leia Jz 5 e acompanhe cada detalhe)
Compare o Cântico de Moisés (Ex 15) com o Cântico de Débora (Jz 5)
Ambos os cânticos são poéticos e descrevem com emoção os fatos.

Jz 5:2 – o povo finalmente foi à luta, voluntariamente. Isso mostra iniciativa e coragem.

Jz 5:3-13 – fala da presença de Deus, provavelmente choveu durante a guerra (até os céus gotejaram) e isso atrapalhou os inimigos que tinham carros de ferro;

“Cessaram as aldeias” – para nós, brasileiros, aldeia é um ajuntamento de índios, mas para Israel e naqueles tempos, aldeia era uma povoação pequena, menor que uma vila, onde as pessoas tinham independência econômica e viviam de seu próprio trabalho, no caso, muito provavelmente do gado.

Com a perseguição dos cananeus, essas aldeias cessaram, o povo de Israel perdeu a liberdade e vivia submisso ao inimigo, ou seja, a vida parou para eles. Mas Débora se levantou por “mãe de Israel”. Em seu Cântico, ela convoca a todos os líderes e juízes para que falem das justiças do Senhor às aldeias de Israel.

Jz 5:14-19 – Agora ela faz comparações entre os guerreiros e os covardes:

ü  Efraim, Benjamim, Zebulom e Issacar foram à luta;

ü  Rúben ficou entre os currais ouvindo balidos dos rebanhos (bééé), ou seja, ficaram em paz, enquanto as demais tribos ouviam os estrondos dos flecheiros.

ü  Débora também cita que nas divisões de Rúben houve “grandes resoluções do coração” e “grandes esquadrinhações do coração”. Ambas as palavras falam de reflexão, reconhecimento de que algo não foi cumprido, um exame mais detalhado dos próprios atos, analisando ponto a ponto. Esse tipo de sentimento pode sugerir o “arrependimento”.

ü  Gileade é a terra possuída pelas tribos de Rúben, Gade e meia tribo de Manassés (Js 22:9). Depois da conquista da terra de Canaã, eles se separaram conforme o acordo feito com Moisés.

ü  Dã se deteve nos navios; Em Jz 18:1 diz que os Danitas ainda não tinham recebido sua herança, não estavam estabelecidos em suas próprias terras. Provavelmente, estavam vivendo próximo a algum porto.

ü  Aser se assentou na beira dos mares, e ficou junto às suas baías. Sidom ficava na costa do mar Mediterrâneo.

“Tampouco Aser expulsou os moradores de Aco, nem os moradores de Sidom; como nem de Alabe, nem de Aczibe, nem de Helba, nem de Afeque, nem de Reobe; porém os aseritas habitaram no meio dos cananeus que habitavam na terra; porquanto não os expulsaram”. (Jz 1:31-32)

ü  Zebulom e Naftali expuseram suas vidas à morte, foram guerreiros valentes;

Jz 5:23 – A ordem do anjo do Senhor: “Amaldiçoai a Meroz, acremente amaldiçoai aos seus moradores,  porquanto não vieram ao socorro do Senhor”

A palavra “acremente” quer dizer “de maneira áspera e rude”.
A palavra “Meroz” quer dizer “lugar de refúgio”.

Os moradores da cidade de Meroz não foram julgados pelo que fizeram, mas pelo que não fizeram. Quem vai à luta em favor do povo de Deus recebe bênçãos, e quem não vai recebe maldições. Não é um julgamento da juíza Débora, mas do próprio Deus. Portanto, não há o que questionar.

Pode ser que esse povo tenha subestimado aquela guerra, já que Jabim e Sísera tinham carros de ferro, logo a probabilidade de vitória seria mínima para os hebreus. Mas Deus garantiu a vitória e, é só isso o que importa. Como vencer é assunto Dele!

Jz 5:24-30 – “Bendita seja entre as mulheres, Jael, mulher de Héber, o queneu”. Jael foi a mulher citada na profecia de Débora.

Origem do casal Jael e Héber – o povo “queneu” era nômade e vivia em clãs nas terras prometidas. Jetro, sogro de Moisés, era queneu (Gn 15:19), parecia ser um povo do bem. Héber estava separado dos queneus (Jz 4:11).

Débora – foi uma dessas mulheres cujo coração arde de entusiasmo quando o desânimo domina a situação. Ela conquistou a confiança do povo e foi constituída juíza, numa sociedade em que a mulher era moeda de troca, e num tempo em que esse cargo era exclusividade dos homens. Um exemplo de emancipação feminina, e quem diria, há mais de três mil anos.  Ela mesma chamou Baraque para ajudá-la, e juntos libertaram Israel da opressão.

Assistam ao vídeo sobre os Juízes (é um desenho, mas muito interessante e fiel à Bíblia)

Cap. 06 / 4ª Opressão: MIDIANITAS / Deus manda GIDEÃO

Midianitas – descendentes de Abraão e sua esposa Quetura, desposada após a morte de Sara. Entre os filhos do segundo casamento, está Midiã, que foi enviado para uma terra distante, longe de Isaque, filho da promessa. Tais descendentes de Abraão, então, deram origem à tribo dos midianitas, que mais tarde são mencionados em conjunto com os ismaelitas.

Jz 6:11 – Gideão estava malhando trigo no lagar.

Lagar é um local onde se pisam as frutas para separar a parte líquida da massa sólida (azeitonas, uvas, etc). O trigo deveria ser malhado na eira, que é um local de terra batida, dura.

Malhar o trigo em outro local era uma estratégia de Gideão para não perder aquele alimento para os midianitas.

Reflexão – o trigo na eira era como a “palavra sobre o barro”, ou seja, a razão humana prevalecendo, o óbvio acontecendo.
A palavra (trigo) teria cheiro de terra e seria alvo fácil para o inimigo, que roubaria o resultado do trabalho, colheria o que ele não plantou.
O trigo no lagar é a palavra revelada pelo Espírito Santo, ou seja, o espiritual prevalecendo, e dessa forma sendo ocultado aos olhos do inimigo.
A palavra agora teria cheiro de uva (perfume de Cristo). A palavra revelada é o segredo de Deus e o inimigo fica confundido.

O chamado de Gideão / (filho de Joás)
“Então o anjo do Senhor lhe apareceu, e lhe disse: O Senhor é contigo, homem valoroso”. (Jz 6:12)

“Então o Senhor olhou para ele, e disse: Vai nesta tua força, e livrarás a Israel das mãos dos midianitas; porventura não te enviei eu?” (Jz 6:14)

“E o Senhor lhe disse: Porquanto eu hei de ser contigo, tu ferirás aos midianitas como se fossem um só homem”. (Jz 6:16)

Ele pede um sinal (duvidoso, como qualquer um de nós)
E ele disse: Se agora tenho achado graça aos teus olhos, dá-me um sinal de que és tu que falas comigo. Rogo-te que daqui não te apartes, até que eu volte e traga o meu presente, e o ponha perante ti. E disse: Eu esperarei até que voltes”. (Jz 6:17-18)

Obs. Ele entrega uma refeição, debaixo do carvalho. Lembram-se do simbolismo e do valor do carvalho para os hebreus?
Encontro com Deus!

Primeiras ações de Gideão
Derrubou o altar de Baal, que era de seu próprio pai, cortou o bosque; e construiu um altar a Deus num lugar mais alto. Ofereceu um holocausto ali com a mesma lenha que cortou do bosque. (Foi chamado de Jerubaal – aquele que contende com Baal).

Perceba que Joás, o pai de Gideão, defende seu filho e desacredita do deus Baal. Gideão começa fazendo a diferença em sua própria casa.

Gideão pede mais um sinal (insegurança humana)
“Eis que eu porei um velo de lã na eira; se o orvalho estiver somente no velo, e toda a terra ficar seca, então conhecerei que hás de livrar a Israel por minha mão, como disseste”. (Jz 6:37)

Gideão pede outro sinal em seguida
“E disse Gideão a Deus: Não se acenda contra mim a tua ira, se ainda falar só esta vez; rogo-te que só esta vez faça a prova com o velo; rogo-te que só o velo fique seco, e em toda a terra haja o orvalho”. (Jz 6:39)

Velo de lã – a lã do carneiro ainda na pele.

Perceba em Gideão a nossa humanidade, nossas dúvidas e questões sobre “ouvir ou não ouvir a voz de Deus”
Será que Deus falou comigo?
Será que eu sou capaz de cumprir essa palavra?
Vou pedir um sinal... (e Deus dá o sinal).

Mas a gente ainda duvida... rsrsrss
Senhor, posso pedir só mais um sinal???

E Deus dá o próximo sinal.
Precisamos de mais ousadia, afinal de contas, temos o Espírito Santo de Deus habitando em nós.


Cap. 07

A vitória de Gideão contra os midianitas
Havia uma quantidade muito grande de soldados, 32 mil, e Deus mandou reduzir.
ü  22 mil medrosos e tímidos voltaram
ü  9.700 se ajoelharam para beber água
ü  300 lamberam as águas

E foi com estes 300 que Gideão foi guerrear e venceu.

Estratégia de guerra

ü  Midianitas, amalequitas e os filhos do Oriente estavam reunidos.
ü  Gideão e Purá desceram ao arraial para ouvir a conversa deles.
ü  Eles ouviram sobre o sonho de um dos homens (um pão de cevada torrado rodando pelo arraial, derrubou a tenda)


Gideão foi comparado com um pão de cevada torrado

Significados do pão na Bíblia:

Pão dos céus – maná, alimento que vem de Deus (Ex 16:4)
Sacrifício de pães – oferecer seu trabalho a Deus (Lv 8:26)
Pão de aflição – quando se come apressadamente (Dt 16:3)
Pão de lágrimas – tristezas e lutas (Sl 80:5)
Pão da impiedade – se alimentar do pecado (Pv 4:17)
Pão nosso de cada dia – nosso sustento (Mt 6:11)
Pão da vida – Jesus Cristo, Palavra de Deus, alimento espiritual (Jo 6:35)
Partir do pão – misericórdia, não deixar o próximo passar necessidade (At 2:42)
O pão que fortalece o coração do homem – Jesus (Sl 104:15)
Come teu pão com alegria – mérito, reconhecimento (Ec 9:7)

O pão de cevada era alimento dos mais pobres, em Israel.
Servia inclusive para alimentar os animais.
A oferta do pão de cevada era feita em casos em que a moral era afrontada (Nm 5:15).

A moral de Israel estava realmente em baixa, Gideão era da família mais pobre de sua tribo, e ainda o menor de sua casa.
Daí o sentido de ele ser comparado a um pão de cevada. Torrado? Provado pelo fogo de Deus e aprovado.
Ele derrubou o altar de Baal, construiu um altar para Deus e sacrificou no lugar mais alto.
Na tabela acima, ele se encaixa no “sacrifício de pães”, pois aceitou o desafio de servir a Deus e ofereceu o seu melhor,
tendo ousadia de guerrear contra os inimigos, confiando na Palavra de Deus.

Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor na casa de meu pai. (Jz 6:15)

Jz 7:20

ü  Tocaram as buzinas – anunciaram a chegada de Jesus, o general daquela guerra.
ü  Quebraram os cântaros vazios – cântaros são vasos de barro, mas com duas asas para segurar. Vasos são pessoas que se dispõem a servir a Deus e se esvaziam de si mesmas, e se deixam quebrar para Deus refazê-las. Vasos são usados por Deus e preenchidos por Ele.
ü  Levantaram as tochas acesas – declararam o Espírito Santo na vida deles.
ü  Gritaram “Espada do Senhor e de Gideão” – grito de guerra, declarando que o Senhor estava na frente.

E assim venceram os midianitas!


Cap. 08
Gideão sofre a rejeição da tribo de Efraim:
A tribo de Efraim reclamou por não serem convidados para a guerra contra os midianitas.

“Então os homens de Efraim lhes disseram: Que é isto que nos fizeste, que não nos chamaste, quando foste pelejar contra os midianitas? E contenderam com ele fortemente”. (Jz 8:1)

Na realidade, Gideão convocou os homens de Efraim no fim da guerra:

“Também Gideão enviou mensageiros a todas as montanhas de Efraim, dizendo: Descei ao encontro dos midianitas, e tomai-lhes as águas até Bete-Bara, e também o Jordão. Convocados, pois, todos os homens de Efraim, tomaram-lhes as águas até Bete-Bara e o Jordão. E prenderam a dois príncipes dos midianitas, a Orebe e a Zeebe; e mataram a Orebe na penha de Orebe, e a Zeebe mataram no lagar de Zeebe, e perseguiram aos midianitas; e trouxeram as cabeças de Orebe e de Zeebe a Gideão, além do Jordão”. Jz 7:24-25

E Gideão fez a sua defesa:

“Porém ele lhes disse: Que mais fiz eu agora do que vós? Não são porventura os rabiscos de Efraim melhores do que a vindima de Abiezer?” (Jz 8:2)

Rabiscos – no sentido de “restos”.

Vindima – colheita dos cachos de uva já maduros. A primeira colheita é a melhor.

Gideão quis dizer:
Os restos das uvas de Efraim são melhores do que a primeira colheita de Abiezer!
Ele estava sendo humilde, colocando a tribo de Efraim como superior e reconhecendo que ele era de uma tribo inferior.
Gideão pelejou contra o povo, mas os homens de Efraim mataram os príncipes midianitas – Orebe e Zeebe.
E essa explicação abrandou aqueles homens.

Abiezer – Gideão era da tribo de Manassés. Abiezer foi neto de Manassés, família da qual saiu Gideão. Ele falava das suas origens.

Jz 8.4 – E Gideão passou com os 300 homens pelo Jordão, todos cansados e famintos, mas ainda iriam ao encalço (seguindo rastros e pistas) dos reis dos midianitas – Zeba e Salmuna.

Ele pediu pão para os homens de Sucote – mas foram desprezados também.

“E disse aos homens de Sucote: Dai, peço-vos, alguns pedaços de pão ao povo, que segue as minhas pisadas; porque estão cansados, e eu vou ao encalço de Zeba e Salmuna, reis dos midianitas”. (Jz 8.5)


Sucote – era uma cidade no leste do rio Jordão. A palavra “sucote”, no hebraico, significa “cabanas, tendas, tabernáculos”.
Ficava perto das tribos de Gade, Manassés e Rúben. 
Lembrando que Sucote foi a primeira terra que os hebreus acamparam, depois que deixaram o Egito e antes de atravessar o mar Vermelho.

“Porém os príncipes de Sucote disseram: Estão já, Zeba e Salmuna, em tua mão, para que demos pão ao teu exército?” (Jz 8.6)

“Então disse Gideão: Pois quando o Senhor der na minha mão a Zeba e a Salmuna, trilharei a vossa carne com os espinhos do deserto, e com os abrolhos”. (Jz 8.7)

Trilhar a carne com espinhos do deserto e abrolhos – trilhar aqui tem o sentido de “deixar marcas” rasgando e arranhando.

Espinhos e abrolhos – uma das maldições lançadas sobre a terra quando o homem desobedeceu a Deus.
Espinhos causam dor e abrolhos impedem e bloqueiam o crescimento das plantas.
Tanto um como o outro são resultados do pecado do homem.
Um dia essa maldição será retirada do povo de Deus.

“E a casa de Israel nunca mais terá espinho que a fira, nem espinho que cause dor, entre os que se acham ao redor deles e que os desprezam; e saberão que eu sou o Senhor Deus”. (Ez 28.24)

ABROLHOS

Veja nas imagens abaixo, os detalhes dessa planta chamada ABROLHOS
Na terceira foto, veja o fruto dela, com espinhos grandes e bem salientes.
Abrolhos é uma planta multicaule, uma erva daninha, com caules que irradiam a partir da base, geralmente prostrados,
mas com capacidade para se elevar do solo e ultrapassar obstáculos, podendo atingir até 1m de comprimento;
tem pequenas flores amarelas e frutos com espinhos compridos e robustos (abrolhos).

Curiosidade – existe uma planta medicinal chamada Tribulus Terrestris, usada como estimulante sexual. Trata-se do fruto da planta – Abrolhos.

“E dali subiu a Penuel, e falou-lhes da mesma maneira; e os homens de Penuel lhe responderam como os homens de Sucote lhe haviam respondido. Por isso também falou aos homens de Penuel, dizendo: Quando eu voltar em paz, derribarei esta torre.” (Jz 8.8-9)

Torre de Penuel – era o orgulho dos príncipes daquela região, uma Torre Vigia. Penuel ou Peniel foi um local importante para Jacó (Gn 32.30-31), onde ele lutou com o anjo.
A cidade foi construída depois desse episódio.


GIDEÃO CUMPRE AS PROMESSAS QUE FEZ

Sucote e Penuel – ele descobriu os nomes dos príncipes de Sucote e anciãos (77 homens).
E ele realmente “trilhou a carne com espinhos e abrolhos” e depois “derrubou a torre de Penuel).
Matou ainda os homens da cidade.

Zeba e Salmuna mataram os irmãos de Gideão. E ele mesmo matou os dois.

E o povo pede para Gideão ser o líder do povo, mas ele se recusa.

“Então os homens de Israel disseram a Gideão: Domina sobre nós, tanto tu, como teu filho e o filho de teu filho; porquanto nos livraste da mão dos midianitas”. (Jz 8.22)

Ele não aceitou porque era tempo de Teocracia, somente Deus governava sobre o povo. Os homens eram apenas “Juízes”.

Éfode – um manto ou xale, que era usado pelos sumo sacerdotes. Gideão fez um éfode com as jóias daquele povo. Não confunda éfode com uma estátua para adoração, porque Gideão era um valente de Deus, ele não faria isso. Ele foi, inclusive, citado em Hebreus 11, entre os Heróis da Fé. Podemos associar o éfode a um memorial e uma forma de comemorar aquela vitória.

Condições da morte de Gideão
Infelizmente, a história de Gideão termina com o povo se prostituindo e diz que o tal éfode foi “um laço para Gideão e para sua casa”. E como a Bíblia não possui tapetes para varrer a sujeira debaixo dele, a história de Gideão fica para nós como um exemplo.

Ele foi aprovado na adversidade e reprovado na prosperidade.

O éfode virou objeto sagrado de culto para os israelitas.
Mas a Bíblia não diz que Deus mandou Gideão fazer um manto, afinal de contas, ele não era um sacerdote, era um juiz.

Teve 70 filhos com várias mulheres. E mais um com a sua concubina, Abimeleque.
Ou seja, não teve uma família estruturada.

Ele disse que não seria um rei, mas agiu como se fosse um. Abimeleque, em hebraico quer dizer “meu pai é rei”.

O fim da vida de Gideão nos faz lembrar de Davi e também Salomão.
No final das contas, depois de tanta sabedoria, estratégia e coragem, terminam sendo corrompidos pela boa vida e pelas tentações.

Cabe aqui a frase de Abraham Lincoln, ex presidente do EUA, que virou ditado popular:

"Se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder. "
 Cap. 09

ABIMELEQUE (MEU PAI É REI) JZ 9.1-6
O capítulo 9 começa com as palavras de Abimeleque, o filho de Gideão (também conhecido como Jerubaal – aquele que contende com Baal).
Abimeleque nasceu da concubina, que morava em Siquém.

Gideão teve com ela uma relação matrilinear. Isso quer dizer que ele tinha uma mulher, mas ela não vivia em seus aposentos,
ela morava em outra região e mesmo assim ele constituiu com ela uma “família”. Hoje em dia, chamamos mulheres assim de “amantes”.

Abimeleque quer ser rei
Para isso, ele convence os cidadãos de Siquém. Vai para Ofra com “homens alugados”, isso quer dizer “pagos para cometer um crime”.
Chamamos isso de “capangas” – aqueles que são pagos para executar os planos do vilão.

Com a ajuda deles, Abimeleque mata seus 70 irmãos (na verdade, 69).
E ele é constituído rei, junto ao carvalho de Siquém (lugar considerado sagrado para os hebreus).
Mas Jotão, o mais novo, conseguiu fugir.

Lembre-se, porém, que prevalecia a Teocracia e Deus instituía apenas Juízes e não reis.
Gideão não aceitou ser rei, ele sabia da impossibilidade do cargo.
Mas seu filho – o único filho tido com uma concubina e não com sua esposa – assumiu a posição de rei.

Quem realmente foi Abimeleque?À luz da Bíblia

ü  O filho ilegítimo de Gideão
ü  Um homem sem direção de Deus e não temente ao Senhor
ü  Assassino frio e sem piedade
ü  Conseguiu o reinado através de uma conspiração familiar


A PARÁBOLA DE JOTÃO – JZ 9.7-21
Jotão, o sobrevivente, conta uma parábola ao povo, comparando homens com árvores. (Ler)

Simbologias

Árvores desejosas de um rei – povo de Siquém
Espinheiro – Abimeleque. Diferente das outras árvores, o espinheiro não tinha absolutamente nada a oferecer.
Lembrando ainda que os espinhos fazem parte da maldição que Deus lançou sobre a terra.

Quando o espinheiro diz “vinde, e confiai-vos debaixo da minha sombra”, ele está sendo irônico,
porque além de não ter sombra para oferecer e ainda ser de baixa estatura,
qualquer que se refugiasse debaixo de um espinheiro iria se machucar com os espinhos.
Além do que, espinheiros não dão frutos. A única coisa que o espinheiro pode oferecer às árvores é o perigo da destruição.
Abimeleque não tinha nenhum atributo que favorecesse o povo.

As árvores que se recusaram – eram os homens que preferiam fazer o bem para o povo, no lugar de governar sobre ele.
Quem deseja fazer o bem, teme ser grande, pois conhece as artimanhas do mundo.

Oliveira, figueira e videira (Azeite, figo e vinho) – eram os frutos mais caros de Canaã, além de serem usados como símbolos na Bíblia.

O LADO PROFÉTICO DA PARÁBOLA (Reflexão)
Politicamente falando, existem espinheiros reinando sobre os cidadãos do nosso século?
E existem árvores frutíferas, com toda condição de governar, que recusam cargos importantes?
Sim, há pessoas capacitadas e preparadas, mas que não conhecem o potencial que tem
e recusam fazer parte da liderança, dando lugar aos espinheiros.

Lembre-se: naqueles tempos o povo vivia a Teocracia, mas hoje, vivemos a Democracia em nosso país.
Logo, não é pecado que homens de Deus façam parte do governo e ocupem cargos políticos.
A questão é: estes homens serão espinheiros ou Oliveiras, Figueiras e Videiras para o povo???

A CONSPIRAÇÃO DE GAAL – JZ 9.22-33

Abimeleque reinou durante 3 anos.
Depois desse período, Deus mandou um espírito mau entre ele e o povo.
E o povo agiu “aleivosamente” contra Abimeleque.

Aleivoso – desleal, falso, infiel, traiçoeiro, enganador.

Por que Deus mandaria um anjo mau entre eles? Para fazer justiça aos filhos inocentes de Gideão, que morreram pelas mãos de Abimeleque.

Foi quando o povo de Siquém se uniu a Gaal, filho de Ebede.
Houve uma guerra entre eles, porque Zebul, que defendia Abimeleque, o avisou.

“E Abimeleque pelejou contra a cidade todo aquele dia, e tomou a cidade, e matou o povo que nela havia; e assolou a cidade, e a semeou de sal”. Jz 9.45

Semear a cidade de sal – quer dizer destruição total, pois quando o sal era jogado sobre a terra,
a tornava improdutiva para a agricultura, de forma que ninguém mais poderia plantar e colher ali.

Depois disso, Abimeleque e o povo colocou fogo sobre os cidadãos que estavam na torre de Siquém.
Quando tentaram queimar a torre central da cidade, onde estavam muitas pessoas refugiadas,
uma mulher jogou um pedaço de mó e quebrou o crânio de Abimeleque.

Mó – são aquelas pedras grandes e redondas usadas para triturar grãos de trigo e cevada, para fazer farinha.
Ou também para triturar azeitona, fruto das Oliveiras, para fazer o azeite de oliva. Moinho. Veja algumas imagens: 
Por orgulho, ele pediu a um soldado para atravessar a espada sobre ele,
para que não dissessem eu ele tinha sido morto por uma mulher.

Cap. 10

Opressão: Continua a opressão dos filisteus / Deus manda os Juízes Tola (23 anos) e depois Jair (22 anos) SUCESSORES

Após esse período de 45 anos, o povo novamente serve a outros deuses:

Baalins – pequenas estátuas de Baal;
Astarote – mãe de Baal, deusa da fertilidade;
Deuses da Síria – Atargatis, a principal. Símbolos: pomba, peixe. Fertilidade das águas; sereias, Iemanjá, etc;
Deuses de Sidom – Astarote (filha de Baal); deusa do poder produtivo, do amor e da guerra;
Deuses de Moabe – Camos (filho de Baal), Moloque.
Deuses dos filhos de Amon – Milcom e Moloque (os mesmos).
Deuses dos filisteus – todos de origem cananeia. Baal Zebub (atual Belzebu).

Por servir a outros deuses, novamente o povo é oprimido pelos filisteus e, agora também, pelos amonitas, durante 18 anos.

E como sempre...
Deus foi misericordioso!

“Então os filhos de Israel clamaram ao Senhor, dizendo: Contra ti havemos pecado, visto que deixamos a nosso Deus, e servimos aos baalins”. Jz 10.10

E o povo aguarda por um novo Juiz.

Cap. 11 / Opressão: filisteus e amonitas / Deus manda Jefté, da tribo de Gade

A história de Jefté começa assim:
Ele era filho de Gileade com uma “suposta” prostituta.
Tudo indica que a mulher era considerada prostituta por ser do povo cananeu.

Gileade teve outros filhos, com sua esposa. Quando estes filhos cresceram, expulsaram Jefté,
pois não queriam que ele herdasse nada do pai, já que era filho de outra mulher.

Ele foi humilhado, saiu da cidade e passou a andar com más companhias.
Mas os anciãos foram em busca dele para ser o novo Juiz. Por que será?

Já ouviu aquela frase: Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos?
Pois é... A Bíblia diz:
“...porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos,
porém o Senhor olha para o coração”. (1Sm 16.7)

Aparentemente não havia nada em Jefté para que ele fosse o escolhido.
Mas Deus conhecia Jefté o suficiente para ordená-lo a ser o novo Juiz.
Os anciãos foram busca-lo não por vontade própria, mas a mando de Deus.

Jefté manda mensageiros para o rei dos amonitas, para saber qual o motivo da opressão (Jz 11.12-28)

O rei disse que o povo hebreu tomou suas terras.
Jefté lembrou que, na verdade, eles não deixaram o povo hebreu passar por elas,
depois de atravessarem o mar Vermelho, quando estavam a caminho da terra prometida.
Houve uma guerra, e o povo de Israel tomou aquelas terras por herança.

Mas o rei não deu atenção a Jefté.

Então, Jefté foi cheio do Espírito Santo (Jz 11.29)
Ele atravessou várias cidades para guerrear contra os amonitas e fez um voto a Deus:
se ele voltasse vitorioso, daria a Deus o que primeiro saísse da porta da casa dele, em holocausto.
Jefté venceu aquela guerra.

Jefté cumpre o voto (Jz 11.34)
Sua única filha sai e vai ao seu encontro.

Sua filha pede dois meses para chorar a sua virgindade (Jz 11:37)
Quando um hebreu oferecia um holocausto, era somente de animais.
Logo, entende-se que ele imaginou um de seus animais vindo ao seu encontro.
Mas veio sua filha. O holocausto, nesse caso, seria o sacrifício de oferecer sua filha para servir a Deus,
ou seja, ela não se casaria com ninguém. Por isso ela pede um tempo para chorar a virgindade.

É inimaginável esperar que Deus permitisse um sacrifício humano,
que era um ato que ele abominava e que ocorria entre os cananeus e outros povos.
O texto abaixo é uma prova de que ela viveu e que o sacrifício era somente não se casar.

“E sucedeu que, ao fim de dois meses, tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o seu voto que tinha feito;
e ela não conheceu homem; e daí veio o costume de Israel, que as filhas de Israel iam de ano em ano lamentar,
por quatro dias, a filha de Jefté, o gileadita”. Jz 11.39-40

Cap. 12

E mais uma vez, uma tribo fica irada por não ter sido convocada para a guerra.
Como no caso de Gideão. E ameaçaram queimar ele e sua casa. (Jz 12.1)

Jefté era da tribo de Gade. Os reclamantes eram da tribo de Efraim

GADE X EFRAIM = guerra entre as tribos

Depois da briga que houve entre as duas tribos, os gileaditas não deixavam mais os efraimitas passar pelos rios.

Os gileaditas (de Gade), de onde procedeu Jefté, tomaram os vaus do Jordão,
a parte do rio de pouca profundidade, onde as pessoas conseguem atravessar a pé.

Eles tentavam mentir, dizendo que não eram efraimitas, mas parece que eles tinham um sotaque diferente,
e assim descobriam fazendo um pequeno teste:

“Então lhe diziam: Dize, pois, Chibolete; porém ele dizia: Sibolete;
porque não o podia pronunciar bem; então pegavam dele, e o degolavam nos vaus do Jordão”. (Jz 12.6)

Passavam por ali também, viajantes e mercadores. Os gileaditas não queriam matar pessoas inocentes.

Chibolete – só por curiosidade, a palavra “chibolete” quer dizer “espiga de milho”.
Nada demais. Mas há uma lição a aprendermos aqui, veja:

Que problema pode haver em pronunciar Chibolete ou Sibolete?
Podemos dizer a mesma coisa de uma forma diferente?
Podemos evangelizar usando a “mesma palavra”, porém de uma forma diferente?

Note bem: se somos de Cristo, somos seguidores de Cristo e falamos a mesma língua de Cristo,
com o mesmo sotaque inclusive, não pode haver variação.

Mas há pessoas que se dizem de Cristo, imitam a língua de Cristo, mas pelo “sotaque”
o verdadeiro cristão saberá se aquela pessoa é verdadeira ou apenas quer se passar por um cristão.

Há pessoas que falam da Bíblia com um “sotaque” diferente, ou seja,
estão lendo a mesma palavra, mas dando a ela um sentido diferenciado. Falsos profetas. Pense nisso!

E finalizando...
Jefté foi juiz durante 6 anos.
Depois de sua morte, esses foram os sucessores:
Ibzã, por 7 anos
Elom, por 10 anos
Abdom, por 8 anos
Cap. 13 / Nascimento de Sansão

Mais uma vez o povo peca, adorando outros deuses e Deus deixou que os filisteus os oprimissem por mais 40 anos.
Dessa vez, não havia um homem justo para julgar o povo, então Deus prepara o nascimento de Sansão.

Manoá (da tribo de Dã) + sua esposa = Sansão
Ela era estéril e Deus fez um milagre. Um anjo anunciou a vinda de Sansão.
Ele deveria ser nazireu (não podia cortar cabelo, nem tomar nada da vinha, não podia comer nada imundo, nem tocar em cadáver)

Nazireu – ser consagrado, separado. Um voto de serviço a Deus.
A palavra nazireu vem do hebraico nazir, derivada de nazar, que quer dizer “separar, consagrar, abster-se”.

SOBRE O NAZIREADO

“E falou o Senhor a Moisés, dizendo: fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: quando um homem ou mulher se tiver separado, fazendo voto de nazireu, para se separar ao Senhor, de vinho e de bebida forte se apartará; vinagre de vinho, nem vinagre de bebida forte não beberá; nem beberá alguma beberagem de uvas; nem uvas frescas nem secas comerá. Todos os dias do seu nazireado não comerá de coisa alguma, que se faz da vinha, desde os caroços até às cascas. Todos os dias do voto do seu nazireado sobre a sua cabeça não passará navalha; até que se cumpram os dias, que se separou ao Senhor, santo será, deixando crescer livremente o cabelo da sua cabeça. Todos os dias que se separar para o Senhor não se aproximará do corpo de um morto. Por seu pai, ou por sua mãe, por seu irmão, ou por sua irmã, por eles se não contaminará quando forem mortos; porquanto o nazireado do seu Deus está sobre a sua cabeça. Todos os dias do seu nazireado santo será ao Senhor. E se alguém vier a morrer junto a ele por acaso, subitamente, que contamine a cabeça do seu nazireado, então no dia da sua purificação rapará a sua cabeça, ao sétimo dia a rapará. E ao oitavo dia trará duas rolas, ou dois pombinhos, ao sacerdote, à porta da tenda da congregação; e o sacerdote oferecerá, um para expiação do pecado, e o outro para holocausto; e fará expiação por ele, do que pecou relativamente ao morto; assim naquele mesmo dia santificará a sua cabeça. Então separará os dias do seu nazireado ao Senhor, e para expiação da transgressão trará um cordeiro de um ano; e os dias antecedentes serão perdidos, porquanto o seu nazireado foi contaminado. E esta é a lei do nazireu: no dia em que se cumprirem os dias do seu nazireado, trá-lo-ão à porta da tenda da congregação; E ele oferecerá a sua oferta ao Senhor, um cordeiro sem defeito de um ano em holocausto, e uma cordeira sem defeito de um ano para expiação do pecado, e um carneiro sem defeito por oferta pacífica; E um cesto de pães ázimos, bolos de flor de farinha com azeite, amassados, e coscorões ázimos untados com azeite, como também a sua oferta de alimentos, e as suas libações.  E o sacerdote os trará perante o Senhor, e sacrificará a sua expiação do pecado, e o seu holocausto; também sacrificará o carneiro em sacrifício pacífico ao Senhor, com o cesto dos pães ázimos; e o sacerdote oferecerá a sua oferta de alimentos, e a sua libação. Então o nazireu à porta da tenda da congregação rapará a cabeça do seu nazireado, e tomará o cabelo da cabeça do seu nazireado, e o porá sobre o fogo que está debaixo do sacrifício pacífico. Depois o sacerdote tomará a espádua cozida do carneiro, e um pão ázimo do cesto, e um coscorão ázimo, e os porá nas mãos do nazireu, depois de haver rapado a cabeça do seu nazireado. E o sacerdote os oferecerá em oferta de movimento perante o Senhor: isto é santo para o sacerdote, juntamente com o peito da oferta de movimento, e com a espádua da oferta alçada; e depois o nazireu poderá beber vinho. Esta é a lei do nazireu, que fizer voto da sua oferta ao Senhor pelo seu nazireado, além do que suas posses lhe permitirem; segundo o seu voto, que fizer, assim fará conforme à lei do seu nazireado”. Nm 6.1-21

OBSERVAÇÕES:

Não tocar em cadáveres – A lei não se restringia apenas a corpos humanos, alguns estudiosos acreditam que eles nem sequer comiam a carne de animais e também não tocavam em animais mortos.
Não passar navalha na cabeça – era deixar o cabelo crescer livremente. Uma característica importante é que ao infringir a lei do nazireado eles tinham que rapar a cabeça.
Quanto maior o cabelo, maior o tempo alcançado em fidelidade a Deus. Então, o cabelo longo pode ser entendido como uma honra para o nazireu.
Tempo do nazireado – determinado ou vitalício.

OUTROS NAZIREUS DA BÍBLIA

João Batista (nazireu vitalício)
“Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe”. (Lc 1.15)

Samuel (nazireu vitalício)
“E fez um voto, dizendo: Senhor dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas à tua serva deres um filho homem, ao Senhor o darei todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha”. (1Sm 1.11)

Paulo, Áquila e Priscila (nazireus por tempo determinado)
“E Paulo, ficando ainda ali muitos dias, despediu-se dos irmãos, e dali navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áqüila, tendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto”. (At 18.18)

“Faze, pois, isto que te dizemos: temos quatro homens que fizeram voto. Toma estes contigo, e santifica-te com eles, e faze por eles os gastos para que rapem a cabeça, e todos ficarão sabendo que nada há daquilo de que foram informados acerca de ti, mas que também tu mesmo andas guardando a lei”. (At 21.23-24)

Obs.: O voto começava ou terminava quando raspavam a cabeça.

Resumo da vida do nazireu Sansão e as consequências da desobediência
Sansão foi levantado por Deus num tempo de opressão. Seu nascimento foi um milagre. Foi consagrado a Deus como nazireu desde o ventre. Tornou-se um portento. Sua força era colossal. Era um jovem prodígio, um verdadeiro gigante, homem imbatível. Seu único problema é que não conseguia dominar seus impulsos. Um dia viu uma jovem filisteia e disse a seu pai: “Vi uma mulher em Timna, das filhas dos filisteus; tomai-ma, pois por esposa [...] porque só desta me agrado” (Jz 14.2,3). Seu pai tentou demovê-lo, mas Sansão não o ouviu.
Certa feita, caminhando pelas vinhas de Timna, um leão novo, bramando, saiu ao seu encontro, mas Sansão rasgou esse leão como se rasga um cabrito. Depois de alguns dias passou pelo mesmo local e foi dar uma olhada no corpo do leão morto. Estava ali, na caveira do leão, um enxame de abelhas. Sansão pegou um favo de mel nas mãos e se foi andando e comendo dele (Jz 14.8,9). Sansão era nazireu e não podia tocar em cadáver. Ele quebrou, ali, o primeiro voto de sua consagração a Deus. Ele procurou doçura na podridão. Ele comeu mel da caveira de um leão morto. Muitos ainda hoje buscam prazer no pecado e procuram doçura naquilo que é impuro. Por isso, perdem a unção, a paz e a intimidade com Deus.
A Bíblia diz que um abismo chama outro abismo. Porque Sansão quebrou o primeiro voto do nazireado, abriu a porta para outras quedas. Na festa de casamento, com vergonha de assumir sua posição de nazireu, Sansão fez ali um banquete; porque assim o costumavam fazer os moços (Jz 14.10). Sansão preferiu imitar os moços de sua época a posicionar-se como um ungido de Deus. Além de não tocar em cadáver, um nazireu não podia beber vinho. Mas, Sansão quebrou mais esse voto de consagração por não ter peito para ser diferente e fazer diferença. Daí para frente, sua vida foi de queda em queda. Coabitou com uma prostituta em Gaza (Jz 14.1) e afeiçoou-se a Dalila (Jz 14.4). Essa mulher astuta o seduziu e arrancou dele a confissão acerca da origem de sua força. Um nazireu não podia cortar o cabelo, mas a cabeça de Sansão foi raspada. Esse jovem prodígio perdeu sua força. O Espírito Santo retirou-se dele. Caiu nas mãos dos filisteus. Estes, lhe vazaram os olhos e escarneceram dele num templo pagão.
Sansão brincou com o pecado e o pecado o arruinou. Sansão não escutou conselhos e fez manobras erradas na vida. Sansão fez pouco caso de seus votos de consagração e perdeu o vigor de seu testemunho. Perdeu sua força e sua visão. Perdeu sua dignidade e sua própria vida. Vocacionado para ser o libertador do seu povo, tornou-se cativo. Porque desprezou os princípios de Deus, o nome de Deus foi insultado num templo pagão por sua causa.
A vida de Sansão é um brado de alerta para a nossa geração. Há muitos jovens, que à semelhança de Sansão, não escutam seus pais. Muitos jovens, mesmo sendo consagrados a Deus, filhos da promessa, vivem flertando com o mundo, amando o mundo, sendo amigos do mundo e conformando-se com o mundo, procurando mel na caveira de leão morto. Muitos crentes têm perdido a coragem de ser diferentes. Imitam o mundo em vez de serem luz nas trevas. Fazem suas festas como o costumam fazer aqueles que não conhecem a Deus. Transigem com os absolutos de Deus e entregam-se às aventuras, buscando uma satisfação imediata de seus desejos. Esse caminho, embora cheio de aventuras e prazeres, é um caminho de escuridão, escravidão e morte. O pecado é um embuste. Promete prazer e traz tormento. Promete liberdade e escraviza. Promete vida e mata. O pecado levará você mais longe do que gostaria de ir; reterá você mais tempo do que gostaria de ficar e, custará a você um preço mais do alto do que gostaria de pagar. (Fonte: Hernandes Dias Lopes)

Sansão – do hebraico Shamshoun, seu nome significa “como o sol”.

“Assim, ó Senhor, pereçam todos os teus inimigos! Porém os que te amam sejam como o sol quando sai na sua força”. Jz 5.31

Da tribo de Dã. Sua força sobre-humana vinha do Espírito Santo de Deus, enquanto ele fosse obediente.
Ele poderia libertar o povo de Israel completamente das mãos dos filisteus, mas não o fez.

Cap. 14 / Casamento de Sansão e aliança com filisteus

Sansão quer se casar com uma mulher dos filisteus, mas isso era uma inspiração do Espírito Santo.

Jz 14.6 – Sansão despedaça um filhote de leão, pelo poder de Deus. Depois, quando ele volta, o corpo do leão estava com um enxame de abelhas com mel.

Algumas observações – na volta, ele vai até o cadáver do leão e encontra mel. Porém, Sansão toca o cadáver do leão, o que, como nazireu, ele não poderia fazer.

“Descendo, pois, seu pai àquela mulher, fez Sansão ali um banquete; porque assim os moços costumavam fazer”. Jz 14:10

Estudiosos observam aqui, que Sansão mais uma vez quebra seu pacto de nazireu com Deus, pois todo banquete era composto de vinho.

Daí surge o enigma de Sansão
Prêmio – 30 lençóis e 30 mudas de roupas
Tempo para decifrar – 7 dias

“Então lhes disse: Do comedor saiu comida, e do forte saiu doçura. E em três dias não puderam decifrar o enigma”. Jz 14.14

Mas a sua mulher o decifra ao povo:

“Disseram, pois, a Sansão os homens daquela cidade, ao sétimo dia, antes de se pôr o sol: Que coisa há mais doce do que o mel? E que coisa há mais forte do que o leão?” Jz 14:18

Significado profético do enigma, segundo alguns estudiosos – O leão despedaçado é Jesus (foi entregue à morte pelos próprios judeus, os líderes do Sinédrio, os fariseus da época). Sansão era a maior autoridade da época, um juiz. Jesus morreu, mas ressuscitou. No lugar de entrar em estado de decomposição, ele reviveu e nos ofereceu a doçura da Salvação. Em três dias não puderam decifrar o enigma por que foi o tempo que Jesus esteve debaixo da terra.

Casamento judaico – era uma tradição a festa de casamento durar 7 dias, ou até 14 em alguns casos. Havia música, dança e várias brincadeiras, como no caso do enigma. Acontece que os 30 homens de honra, não eram amigos do noivo, como era o costume, mas eram homens filisteus. E o enigma foi feito com eles. Eles queriam acertar para não perder nada para o povo hebreu. Era um caso de rivalidade.

Mas lembre-se, esse era o intuito de Deus com o casamento de Sansão e a mulher filisteia, unir os dois povos para iniciar um conflito.

“E sucedeu que, ao sétimo dia, disseram à mulher de Sansão: Persuade a teu marido que nos declare o enigma, para que porventura não queimemos a fogo a ti e à casa de teu pai; chamastes-nos aqui para vos apossardes do que é nosso, não é assim?”Jz 14.15

“E ele lhes disse: Se vós não lavrásseis com a minha novilha, nunca teríeis descoberto o meu enigma”. Jz 14:18

Lavrar com a minha novilha – uma expressão que significava tomar posse de coisas alheias. Cada um deve lavrar a sua terra, com a sua própria novilha. Pegar a novilha do vizinho era se apropriar do que não era seu, se beneficiar do próximo.

Sansão mata 30 homens, pega as suas roupas e dá aos adivinhadores do enigma. Depois vai à casa de seu pai. Nesse período, a mulher de Sansão foi dada ao companheiro dele.

Cap. 15 / Guerra contra os filisteus

O pai dele queria dar a irmã mais nova em troca. Ele ficou irado e colocou fogo na seara dos filisteus. Eles por sua vez, queimaram a mulher e o pai.

Sansão fere os homens nas pernas.
Os filisteus buscam a tribo de Judá e pede Sansão. 3 mil homens de Judá buscam Sansão e o amarram.

Mas ele ficou cheio do Espírito Santo e se soltou. E feriu mil homens com a queixada de um jumento:

Havia tantas armas naquela época, que poderiam ser usadas para matar muitos homens, mas Deus não age no óbvio.
Deus transforma situações, faz o inimaginável, ele faz milagres e nós só precisamos acreditar e ter ousadia de ir.

“E achou uma queixada fresca de um jumento, e estendeu a sua mão, e tomou-a, e feriu com ela mil homens. Então disse Sansão: Com uma queixada de jumento, montões sobre montões; com uma queixada de jumento feri a mil homens” Jz 15.16-17

Depois disso, Sansão pediu água, e a água saiu da própria queixada de jumento.

Cap. 16 / Sansão conhece Dalila

16.1-3 – Sansão fica com uma prostituta, em Gaza. Nessa época, ele era perseguido.
Os gazitas armaram uma emboscada, para mata-lo pela manhã. Mas ele saiu à meia noite e fugiu.

Demonstração da força de Sansão – ele arrancou “as portas da entrada da cidade, com ambas as umbreiras”.

A umbreira é conhecida por nós como “viga mestra”, ou seja, é a parte que sustenta o portão. Os portões eram feitos em formato de L. Era a parte interna que segurava os portões. Todas as cidades daquela época eram fortificadas com altos muros, portas e trancas (ferrolhos). Veja algumas imagens de ferrolhos medievais:
  
Jz 16:4-22 – Depois se apaixonou por Dalila, do vale de Soreque.
Os príncipes dos filisteus pediram para ela descobrir a origem da força de Sansão, por uma grande quantia. Pois eles queriam amarrá-lo para mata-lo.

Dalila – seu nome em hebraico quer dizer “oscilante, pendente”.

Sansão mentiu – seta vergas de vimes frescos (varas flexíveis, que vem de uma planta chamada Vimeiro), cordas novas, sete tranças com liço da teia (tecido de linho).

Dalila insistiu – ela usou de várias estratégias até amolecer o coração de Sansão.
E ele saiu da presença de Deus, a partir do momento em que colocou o amor que sentia por aquela mulher, na frente do amor que sentia por Deus.

Sansão virou escravo dos filisteus – A mulher foi a sua prioridade e Deus se afastou dele.
Os filisteus furaram os olhos de Sansão e o deus deles foi exaltado entre o povo.
Sansão girava um moinho, como prisioneiro, pois ele foi colocado num cárcere. Ali seu cabelo cresceu novamente.

Jz 16.23-31 – Sansão foi humilhado e zombado. E ele clamou a Deus.
Abraçou-se às colunas e Deus devolveu a ele a força, em seus últimos momentos de vida.
As colunas caíram e muitos filisteus foram mortos, dentro do Templo de Dagom – o deus dos filisteus, deus da agricultura. Veja nas imagens:

“E disse Sansão: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela havia;
e foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara em sua vida”. Jz 16:30

Sansão foi juiz durante 20 anos.

Reflexão – A força e a fraqueza de um herói. Sansão está na lista dos heróis da fé, embora tenha fracassado praticamente a sua vida inteira. Ele tinha plena consciência de quem ele era “um nazireu de Deus”. Ele mesmo afirmou isso a Dalila, mas ele não agia como um nazireu. Foi até as últimas consequências humanas de um fracassado. De forte, se tornou fraco. Aqueles que o temiam, passaram a rir dele. Ele se tornou o “troféu de conquista dos filisteus”. De juiz passou a ser escravo, trabalhando num cárcere, como um animal.

A vida de Sansão nos ensina a tomar cuidado com os dons que Deus nos dá. Os dons de Deus não devem ser usados para nos exaltar, mas para servir a Ele, para um propósito e uma missão. Deus é tão misericordioso que, mesmo quando caímos e erramos, ao nos arrepender, Ele nos devolve o dom perdido. Que possamos usar a “força” que Deus nos dá para cumprir os seus desígnios, sempre!
Cap. 17

Contexto do capítulo
TEOCRACIA – ANARQUIA – MONARQUIA

Teocracia – governo de Deus. É o sistema de governo em que as ações políticas, jurídicas e policiais são submetidas às normas do Criador. O poder teocrático se dava pelas mãos de sacerdotes, profetas e juízes.

Em nossos dias ainda existem alguns exemplos de Teocracia:

Vaticano – é uma das sete colinas de Roma, oficialmente é um Estado e também a sede da Igreja Católica. É uma cidade-Estado soberana, existente desde 1.929, onde o chefe de Estado é o papa. É o menor país do mundo, reconhecido pela ONU, entre os 193 países, mas não tem reconhecimento majoritário. Veja uma imagem do pequeno país:

Irã – os chefes de governo, estado e poder judiciário estão submetidos ao aiatolá e ao conselho dos líderes religiosos islâmicos. Portanto, é um regime teocrático.

Israel – é oficialmente um Estado judeu e democrático.

O livro de Juízes mostra que Israel viveu um período caracterizado pela “desordem social” que precedeu o estabelecimento da Monarquia.

Anarquia – é uma palavra que vem do grego anarkhos e significa “sem governantes” ou “sem poder”. Hoje em dia, essa palavra tem um sentido mais filosófico-político que traduz o objetivo de eliminar totalmente todas as formas de governo e de Estado. Mas foi somente após o final do século XIX que a palavra teve o sinônimo de “caos”.

Monarquia – o chefe de Estado (rei ou rainha) tem seus sucessores (príncipes e princesas). Os monarcas tinham poder absoluto para reger uma nação. Hoje, porém, a maioria das monarquias são constitucionais.

Democracia – governo do povo. Os cidadãos escolhem um líder por votação.

Para o período bíblico, do qual estamos estudando, o termo Anarquia se encaixa bem. Veja: “Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos”. (Jz 17.6)

Vejamos agora algumas das características e fatos marcantes desse período anárquico.
Repare na atitude incoerente da mãe de Mica. Ela consagra ao Senhor o dinheiro que lhe fora restituído pelo seu filho. Investe 200 moedas de prata para fazer um ídolo.

Como se poderia conciliar o culto ao Senhor à idolatria? Ou nas célebres palavras de Paulo: “E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos?” Essa confusão toda aconteceu por causa da ausência de liderança espiritual. Sem ela, o povo tende a se corromper.

Mica aproveitou-se da ideia da mãe, e resolveu abrir sua própria “casa de deuses”. Agora ele era seu próprio líder espiritual. Não teria mais que frequentar o tabernáculo em Siló para oferecer sacrifícios a Deus. Além de um templo improvisado, com seu próprio filho como sacerdote, Mica conheceu um levita e o consagrou por sacerdote particular e que lhe fosse sujeito, como seu próprio filho. Porém, quem lhe deu a autoridade para consagrar um sacerdote? A Bíblia diz como um sacerdote era preparado e consagrado (Nm 8:5-26 – era purificado, os pelos raspados, vestes lavadas, havia sacrifícios perante toda a congregação e aprendia o ofício)

REFLEXÃO
Existe esse tipo de atitude nos dias de hoje?
Pessoas que abrem uma igreja sem direção? Pessoas que se auto intitulam líderes espirituais? À luz das Escrituras, só pode exercer autoridade, quem estiver sob autoridade. Nem mesmo Jesus escapou à regra. Por duas vezes o Pai bradou do céu: “Este é meu Filho”. Em uma das vezes, Ele disse: “...em quem me comprazo” (Mt 3.17). E na outra vez: “...a Ele ouvi!” (Mt17.5).

O que seria a tal “casa de deuses”?
Veja o que ele fez e o que praticava:

Éfode – ele fez um éfode, o manto sacerdotal, a vestimenta exclusiva do sumo sacerdote.

Terafins – eram os ídolos do lar ou “ídolos do clã”. Lembra-se dos ídolos que Raquel, esposa de Jacó, roubou do próprio pai? O tamanho variava de uma miniatura, ao que chamamos hoje de “santinhos”  até o tamanho natural de uma pessoa. Alguns estudiosos dizem que os terafins eram, além de acessórios de idolatria, acessório de adivinhação.

Ao longo do tempo, as pessoas inventaram várias formas de adivinhação, veja quais as formas mais praticadas naquela época:

Astrologia – por meio de astros.
“Cansaste-te na multidão dos teus conselhos; levantem-se pois agora os agoureiros dos céus, os que contemplavam os astros, os prognosticadores das luas novas, e salvem-te do que há de vir sobre ti”. (Is 47.13)

Belomancia – por meio de flechas.
“Porque o rei de Babilônia parará na encruzilhada, no cimo dos dois caminhos, para fazer adivinhações; aguçará as suas flechas, consultará as imagens, atentará para o fígado”. (Ez 21.21)

Hepatoscopia – por meio de inspeção do fígado de animais. Para os antigos babilônios, o fígado era onde ficava a alma, os sentimentos, assim como nós acreditamos que os sentimentos ficam no coração.
Veja na imagem abaixo, um fígado de argila com todos os textos de adivinhação, os sinais do lado direito eram favoráveis e os do lado esquerdo, desfavoráveis.

Alguns exemplos dessa adivinhação por Hepatoscopia:

Ø  Essas consultas tinham o objetivo de saber quais as intenções dos deuses.
Ø  Uma inversão da proporção habitual do lobo, significava uma inversão da ordem natural das coisas, portanto um escravo poderia dominar o seu senhor ou um filho revoltar-se conta seu pai.
Ø  Uma veia hepática defeituosa à esquerda podia significar a derrota em breve dos seus inimigos.
Ø  Uma vesícula biliar inchada era interpretada como um possível aumento de poder.
Ø  Um canal cístico longo seria equivalente a um reinado longo.
Ø  Uma depressão na porta do fígado, uma perda de sucessos.

Hidromancia – por meio da água.
“Não é este o copo em que bebe meu senhor e pelo qual bem adivinha? Procedestes mal no que fizestes”. (Gn 44.5)
As pessoas que viam imagens nas águas acreditavam que estavam tendo uma premonição do que iria acontecer. A forma mais conhecida da Hidromancia consistia em se colocar a água em vasos com inscrições sagradas e deitá-lo. A pessoa indicada para fazer a previsão tinha que ver a cena naquela água. No Egito, acreditavam que o Deus Hapi se comunicava com os sacerdotes por meio de visões na água ou de mudanças na sua tonalidade. O uso da bola de cristal deriva desse tipo de adivinhação também.

Necromancia – por meio dos mortos. Pode ser chamada também de magia negra ou feitiçaria. A Tábua Ouija (também conhecida como "brincadeira do copo" ou "telégrafo dos mortos") é amplamente utilizada por espiritualistas na prática da suposta comunicação com o mundo espiritual.
“Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti”. (Dt 18.10-12)

Rabdomancia – por meio da varinha mágica ou forquilha (Radiestesia)
“O meu povo consulta a sua madeira, e a sua vara lhe responde, porque o espírito da luxúria os engana, e prostituem-se, apartando-se da sujeição do seu Deus”. (Os 4:12)
A Radiestesia é usada até hoje na busca de lugares ideais para furar poços, é uma pseudociência que vem da sensibilidade às radiações. Os primeiros pêndulos foram encontrados no Egito e eram usados para encontrar água e minérios. Não há dados científicos, logo não há credibilidade para tal prática.

Sortilégio – por meio de lançar sorte.
"E lançaram sortes sobre o meu povo, e deram um menino por uma meretriz, e venderam uma menina por vinho, para beberem."  (Joel 3.3)

Voltando ao tema “Casa dos deuses”
A mãe de Mica mandou fazer apenas um ídolo, mas Mica decidiu fazer a casa dos deuses. Os deuses daquela época eram Astarote, Baal, Dagom, Diana, Moloque. Imagine todas essas estátuas no mesmo ambiente e, claro, altares para os sacrifícios de animais. Um suposto levita e o filho de Mica fazendo o papel de sacerdotes. Tudo assim distorcido, longe da vontade de Deus. Mica fazia o que parecia bem aos seus olhos. Com todas as práticas de adivinhações daquela época e com todas essas imagens, a casa mais se parece com um centro espírita, especificamente de Candomblé e Umbanda.


Comparação de valores – a mãe de Mica tem 1.100 moedas de prata
Valor de duas estátuas (escultura e fundição) – 200 moedas de prata
Salário anual do sacerdote – 10 moedas de prata

Curiosidade – Dalila recebeu 1.100 moedas de prata de cada príncipe filisteu. Não há dados disponíveis para a semelhança dos valores, mas parece ser um valor simbólico de recompensa daquela época.

Cap. 18

A tribo de Dã que ainda estava sem herança chegou até a casa de Mica. Encontraram o levita da tribo de Judá.

No lugar de estranharem a permanência dele naquela “casa de deuses” ainda aproveitaram para pedir que ele consultasse a Deus.

Roubaram todas as imagens da “casa de deuses” de Mica e ainda convidaram o levita para ir com eles e ser para eles “pai e sacerdote”. (Jz 18.19) Ele gostou da ideia e foi.

A única coisa que fizeram de correto nessa história foi tomar as terras e exterminar com todos os moradores dela. Mas, por outro lado, eles próprios já estavam corrompidos e levaram as estátuas de Mica para adorá-las naquele lugar. Totalmente distantes de Deus.


Cap. 19
Conta a história de um homem levita que tinha uma concubina, ela o traiu e voltou para a casa de seu pai, ficando lá por 4 meses. O homem foi atrás dela, o sogro insistia para que ele permanecesse ali, e ele ficou 5 dias. Mas depois partiu levando com ele a concubina.

Durante a viagem de volta, eles pararam na cidade da tribo de Benjamin (Gibeá), porque era mais seguro. Não houve quem os recolhessem e eles iam dormir numa praça. Um peregrino da tribo de Efraim passava por ali e os convidou para ficar com ele.
Os homens daquela cidade, filhos de Belial, queriam o levita. Mas o peregrino não permitiu e ofereceu a filha virgem e a concubina do levita.

A concubina foi estuprada a noite toda até o amanhecer. Ela foi encontrada morta na frente da porta do peregrino. O levita a levou embora, e com um cutelo (facão) a partiu em 12 partes e enviou para as 12 tribos de Israel.

Filhos de Belial – deus dos cananeus. Ele é mencionado como o “oposto da luz”, comandante das forças da escuridão. Criado junto com lúcifer, é considerado o rei do inferno (Sheol), que comanda 80 legiões. É responsável pela arrogância, loucura, luxúria. Do hebraico Baalial, significa “rebelde”.

1º PONTO – Homossexualidade, prostituição e imoralidade. Compare as duas situações:
LÓ – “Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu telhado”. (Gn 19.8)

PEREGRINO  – “E o homem, dono da casa, saiu a eles e disse-lhes: Não, irmãos meus, ora não façais semelhante mal; já que este homem entrou em minha casa, não façais tal loucura. Eis que a minha filha virgem e a concubina dele vo-las tirarei fora; humilhai-as a elas, e fazei delas o que parecer bem aos vossos olhos; porém a este homem não façais essa loucura”. (Jz 19.23-24)

O homossexualismo, que era comumente praticado nas religiões cananeias, foi aos poucos sendo introduzido na vida social do povo de Deus. Como consequência, as ruas de Gibeá deixaram de ser seguras. Nelas, agora, rondavam estupradores homossexuais. Foi por isso que o velho se dispôs a acolher os viajantes em casa. Ele quis protegê-los de um eventual abuso sexual.

“Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é” (Lv 18.22)

“Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles”.  (Lv 20.13)

Não somente o AT, mas o NT ensina os mesmos princípios:
“Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro”. (Rm 1.26-27)

2º PONTO – A covardia dos homens daquela época e o machismo entre o povo judeu
O texto despreza completamente os sentimentos daquela mulher. Revela que o levita foi atrás da concubina “para lhe falar conforme ao seu coração”, isso mostra que ele a amava e que estava disposto a perdoá-la. Diz que ele se alegrou ao se reencontrar com o sogro. Diz que temeu ficar numa cidade estranha. Enfim, o homem sentiu amor, alegria, medo.

Mas a narrativa não diz que a mulher ficou apavorada quando o levita a colocou à força para fora daquela casa, o quanto sofreu nas mãos daqueles homens e o quanto agonizou antes de sua morte. Mas nós podemos imaginar.

O que é isso? Machismo, covardia, crueldade? E a filha do peregrino? O que sentiu ao ver que o próprio pai queria entrega-la aos estupradores para que fosse humilhada? Sendo ela ainda uma virgem? A figura da mulher é totalmente anulada nesses textos.

Há questões culturais a serem consideradas nesses textos. Para os orientais, a figura da mulher não é a mesma que para os ocidentais. A questão de proteger um visitante, também é uma tradição muito antiga para eles e que levam à risca.

3º PONTO – Crimes: ameaça de invasão a domicílio, estupro seguido de morte, esquartejamento de corpo humano, omissão de socorro.

Simplesmente não havia juiz, nem líder espiritual e tudo isso faz parte das consequências dos atos desobedientes do povo, da falta de direção de Deus. Isso é um retrato do ser humano sem Deus.

REFLEXÃO – qual a diferença destes tempos bíblicos para o nosso tempo? Quantas notícias assistimos sobre estupros seguidos de morte, pedofilia, meninas que se casam com 8 anos de idade perante a lei, pessoas esquartejadas, filhos que matam seus pais por herança, pais que violentam seus filhos cruelmente e depois jogam pela janela de um apartamento, madrastas que matam seus enteados e tentam se livrar do corpo com soda cáustica, e por aí vai... Seres humanos sem Deus!

Cap. 20

Todo o povo de Israel se congregou para falar do ocorrido. “Todos os homens de Israel unidos como um só homem”

Infelizmente a tribo de Benjamin, que morava em Gibeá, não se uniu às demais tribos de Israel e saiu a pelejar contra eles; 26.000 benjamitas.
Além do mais, leve em conta que os benjamitas viviam ali, praticavam o que eles praticavam, estavam totalmente corrompidos.
Será que na multidão de homens que estupraram a concubina não havia também benjamitas?

Havia 400 mil homens de guerra, de Israel e eles buscaram a Deus, choraram, clamaram, jejuaram e sacrificaram.

A guerra aconteceu, mais de 60 mil homens de Israel morreram, porém, praticamente exterminaram com a tribo de Benjamin e todos os moradores de Gibeá e queimaram aquela cidade, vingando a morte da concubina, que representou a gota d’água para Israel.

Cap. 21

Houve uma assembleia depois da guerra, todos deveriam comparecer. Mas os moradores de Jabes-Gileade não foram. Lembrando – as tribos de Rúben, Gade e meia tribo de Manassés não quiseram atravessar o Jordão e possuíram as terras de Gileade. Eles estavam sempre apartados das demais tribos.

Então, as tribos de Israel decidiram ataca-los e mataram os moradores de lá e separaram 400 moças virgens para dar em casamento aos benjamitas sobreviventes, pois não queriam que uma das tribos fosse exterminada. Mas esse número ainda era pouco, então tomaram das filhas de Siló. Havia em torno de 600 homens benjamitas.

Siló – a antiga capital de Israel. Era o lugar onde eles se reuniam e sacrificavam. Era também onde ficava a arca e o tabernáculo. Tudo indica que não havia em Siló uma tribo específica morando. Logo, eles foram instruídos a buscar moças que estavam dançando em Siló, por ocasião das festividades judaicas. Elas foram, literalmente, sequestradas por eles. Não há ordem alguma de Deus para que realizassem este plano, totalmente arquitetado por eles, sem nenhuma inspiração divina.

“Então disseram: Eis que de ano em ano há solenidade do Senhor em Siló, que se celebra para o norte de Betel do lado do nascente do sol, pelo caminho alto que sobe de Betel a Siquém, e para o sul de Lebona. E mandaram aos filhos de Benjamim, dizendo: Ide, e emboscai-vos nas vinhas. E olhai, e eis aí as filhas de Siló a dançar em rodas, saí vós das vinhas, e arrebatai cada um sua mulher das filhas de Siló, e ide-vos à terra de Benjamim”. (Jz 21.19-21)

CONCLUSÃO – Depois de Sansão não houve outro juiz, citado no livro de Juízes. Israel viveu um longo período sem líder espiritual e totalmente corrompido.


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